Artuzinho: mito do futsal no RN
Um nome, um mito. É assim a relação de Artur Ferreira com o futsal do RN. Em 50 anos de atividade no esporte, a história desse senhor que s...
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Um nome, um mito. É assim a relação de Artur Ferreira com o futsal do RN. Em 50 anos de atividade no esporte, a história desse senhor que se diz apaixonado pela modalidade e que deu os primeiros passos nas quadras alguns meses antes da fundação da própria Federação Norte-riograndense de Futsal (FNFS) liga sua trajetória ao futebol de salão. Num caso onde antiguidade também é posto, Artuzinho conta com respeito de todas as pessoas envolvidas no Futsal e sua fama rompeu os limites potiguares.
Aos 70 anos de idade, ele fala de datas ligadas ao futsal e relembra de detalhes dos jogos, como se os mesmos tivessem ocorrido ontem. Ele que diz ter três grandes amores na vida: a família, o América e o futebol de salão, conta que participou da implantação daquela nova modalidade esportiva em Natal. "Em 1957 nós iniciamos a disputa dos primeiros jogos de futsal em Natal, organizamos o primeiro torneio antes mesmo da fundação da federação. Isso ocorreu em fevereiro e a federação só foi fundada em 31 de outubro de 1957, já tendo como clubes fundadores ABC e América", recorda.
Embora já fosse torcedor do América, seu casamento com o alvirrubro ocorreu no dia 15 de agosto de 1957, quando foi convidado para integrar a equipe de futsal do clube pelo então presidente Heriberto Bezerra e pela esposa do dirigente, Maria da Conceição, a quem Artur considera como pais de criação.
"Nós disputávamos a Taça Cidade do Natal, eu jogava pelo Bola Preta e o nosso time precisava vencer do ABC para provocar um triangular e recolocar o América na disputa do título. Vencemos o jogo por 4 a 1 e marquei todos os gols do Bola Preta. Doutor Heriberto, que estava na arquibancada, viu aquilo e decidiu me convidar para jogar no América", disse Artuzinho.
Esse casamento foi perfeito e de muita felicidade. De lá até o ano de 2007- quando foi obrigado a licenciar o América da FNFS por falta de apoio para manter a equipe -, o alvirrubro acumulou um cartel invejável de conquistas. Foram 26 títulos norte-riograndenses, sendo 13 como atleta e o mesmo número de conquistas como treinador americano, posto que assumiu em 1977, após 20 anos de carreira como jogador.
No rol de conquistas com a camisa americana ainda constam 15 títulos estaduais, sendo 11 como jogador e 4 como técnico. Com a equipe ele conquistou quatro Campeonatos do Nordeste, todas como atleta, foi três vezes vice-campeão como treinador dessa mesma competição e também possui um vice-campeonato brasileiro, apontado como sua mais importante conquista.
"Não é fácil uma equipe nordestina chegar ao topo de um campeonato brasileiro. O América fez isso em 19 de janeiro de 1970, quando chegamos na final e acabamos derrotados pela forte equipe do Palmeiras, por 4 a 1, no Palácio dos Esportes. Foi uma pena, nós ainda conseguimos abrir vantagem, mas permitimos a virada", lamenta.
É difícil de mensurar até onde vai a paixão de Artuzinho pelo futsal e pelo América. Só para dar uma ideia de até onde pode ir essa obsessão, basta dizer que durante 25 de seus 30 anos como treinador, ele tirou dinheiro do próprio bolso para manter o departamento de futsal do clube em atividade.
"Fiz isso porque tenho uma mulher muito compreensiva. Durante todo esse período ela assumiu as despesas da casa, porque o salário que eu recebia dava apenas para arcar com os custos do futsal do América. Fiz isso por amor, o clube não me deve um centavo", revelou Artur, salientando que hoje ainda sofre as consequências de ter sido obrigado a licenciar o clube da FNFS. "Sou feliz por causa da família que tenho, mas minha felicidade não está completa. Eu ainda alimento o sonho de poder voltar a dirigir a equipe de futsal do América. Só assim poderei acabar com esse vazio que me atormenta", ressalta.
Bate-Bola
Clóvis Gomes, Presidente da FNFS
Qual a sua opinião sobre Artuzinho, tanto como jogador quanto como técnico de Futsal?
Artuzinho foi um grande jogador, folclórico, muita raça, liderança e conhecido em todo o Brasil, protagonizou muitos fatos pitorescos que até hoje as pessoas mais antigas do Futsal relembram dando boas risadas em todas as Assembleias da CBFS. Como técnico foi quem ganhou o maior número de títulos do futsal norte-rio-grandense.
Você chegou a jogar com Artuzinho ou a ser treinado por ele?
Tive o prazer de jogar com Artuzinho nos Jogos Universitários. Conquistamos o tri-campeonato pelo Centro de Saúde, era um timaço: Nilson Barrote, Artur, Geraldo, Dennis e eu, claro (risos). Tempo bom com o Palácio dos Esportes lotado. Fui treinado por Artur na seleção do RN que participou do Campeonato Brasileiro de Seleções em Osasco/SP, sagrando-se campeão do Norte e Nordeste e jogando a fase final no Ginásio do Corinthians, em São Paulo.
Na sua opinião, o que Artuzinho representa para o esporte do RN?
Artur é um abnegado pelo futsal do América, incomparável. Você dedicar 50 anos de sua vida em prol de uma causa seja ela qualquer, merece todos os elogios possíveis e merece todas as homenagens que receberá, com certeza. Artur representa o que ainda existe de puro no esporte, um amor incondicional ao seu clube de coração, sem nunca almejar absolutamente nada em troca.
Artuzinho é uma referência para o futsal potiguar?
Com certeza. Quando você fala do futsal, logo vem a lembrança de Artuzinho. Pelo que fez durante todo esse tempo como atleta e técnico vitorioso. Lançou moda nas quadras, com camisas maravilhosas e exclusivas. Agora, em fevereiro de 2012, na Assembleia da CBFS, em Fortaleza, o vice-presidente da entidade, o Senhor Piazza, de São Paulo, me perguntou: "Clóvis e Artuzinho? Ainda usa aquelas camisas?", no que eu respondi: continua lançando moda... Aí foi motivo de risadas da velha guarda do futsal nacional que estava presente.
Você acha que Artuzinho tem condições ainda de ressuscitar o futsal do América?
Artuzinho me falou que contatou com o presidente Alex Padang, que se comprometeu com o retorno do futsal do América em 2013. Acreditamos na palavra de Alex e certamente teremos um América forte em 2013.
fonte:TN
Júnior Santos
Os números não mentem e os colecionados por Artur Ferreira comprovam porquê a história dele se confunde com a própria história do futsal do Rio Grande do Norte
Aos 70 anos de idade, ele fala de datas ligadas ao futsal e relembra de detalhes dos jogos, como se os mesmos tivessem ocorrido ontem. Ele que diz ter três grandes amores na vida: a família, o América e o futebol de salão, conta que participou da implantação daquela nova modalidade esportiva em Natal. "Em 1957 nós iniciamos a disputa dos primeiros jogos de futsal em Natal, organizamos o primeiro torneio antes mesmo da fundação da federação. Isso ocorreu em fevereiro e a federação só foi fundada em 31 de outubro de 1957, já tendo como clubes fundadores ABC e América", recorda.
Embora já fosse torcedor do América, seu casamento com o alvirrubro ocorreu no dia 15 de agosto de 1957, quando foi convidado para integrar a equipe de futsal do clube pelo então presidente Heriberto Bezerra e pela esposa do dirigente, Maria da Conceição, a quem Artur considera como pais de criação.
"Nós disputávamos a Taça Cidade do Natal, eu jogava pelo Bola Preta e o nosso time precisava vencer do ABC para provocar um triangular e recolocar o América na disputa do título. Vencemos o jogo por 4 a 1 e marquei todos os gols do Bola Preta. Doutor Heriberto, que estava na arquibancada, viu aquilo e decidiu me convidar para jogar no América", disse Artuzinho.
Esse casamento foi perfeito e de muita felicidade. De lá até o ano de 2007- quando foi obrigado a licenciar o América da FNFS por falta de apoio para manter a equipe -, o alvirrubro acumulou um cartel invejável de conquistas. Foram 26 títulos norte-riograndenses, sendo 13 como atleta e o mesmo número de conquistas como treinador americano, posto que assumiu em 1977, após 20 anos de carreira como jogador.
No rol de conquistas com a camisa americana ainda constam 15 títulos estaduais, sendo 11 como jogador e 4 como técnico. Com a equipe ele conquistou quatro Campeonatos do Nordeste, todas como atleta, foi três vezes vice-campeão como treinador dessa mesma competição e também possui um vice-campeonato brasileiro, apontado como sua mais importante conquista.
"Não é fácil uma equipe nordestina chegar ao topo de um campeonato brasileiro. O América fez isso em 19 de janeiro de 1970, quando chegamos na final e acabamos derrotados pela forte equipe do Palmeiras, por 4 a 1, no Palácio dos Esportes. Foi uma pena, nós ainda conseguimos abrir vantagem, mas permitimos a virada", lamenta.
É difícil de mensurar até onde vai a paixão de Artuzinho pelo futsal e pelo América. Só para dar uma ideia de até onde pode ir essa obsessão, basta dizer que durante 25 de seus 30 anos como treinador, ele tirou dinheiro do próprio bolso para manter o departamento de futsal do clube em atividade.
"Fiz isso porque tenho uma mulher muito compreensiva. Durante todo esse período ela assumiu as despesas da casa, porque o salário que eu recebia dava apenas para arcar com os custos do futsal do América. Fiz isso por amor, o clube não me deve um centavo", revelou Artur, salientando que hoje ainda sofre as consequências de ter sido obrigado a licenciar o clube da FNFS. "Sou feliz por causa da família que tenho, mas minha felicidade não está completa. Eu ainda alimento o sonho de poder voltar a dirigir a equipe de futsal do América. Só assim poderei acabar com esse vazio que me atormenta", ressalta.
Bate-Bola
Clóvis Gomes, Presidente da FNFS
Qual a sua opinião sobre Artuzinho, tanto como jogador quanto como técnico de Futsal?
Artuzinho foi um grande jogador, folclórico, muita raça, liderança e conhecido em todo o Brasil, protagonizou muitos fatos pitorescos que até hoje as pessoas mais antigas do Futsal relembram dando boas risadas em todas as Assembleias da CBFS. Como técnico foi quem ganhou o maior número de títulos do futsal norte-rio-grandense.
Você chegou a jogar com Artuzinho ou a ser treinado por ele?
Tive o prazer de jogar com Artuzinho nos Jogos Universitários. Conquistamos o tri-campeonato pelo Centro de Saúde, era um timaço: Nilson Barrote, Artur, Geraldo, Dennis e eu, claro (risos). Tempo bom com o Palácio dos Esportes lotado. Fui treinado por Artur na seleção do RN que participou do Campeonato Brasileiro de Seleções em Osasco/SP, sagrando-se campeão do Norte e Nordeste e jogando a fase final no Ginásio do Corinthians, em São Paulo.
Na sua opinião, o que Artuzinho representa para o esporte do RN?
Artur é um abnegado pelo futsal do América, incomparável. Você dedicar 50 anos de sua vida em prol de uma causa seja ela qualquer, merece todos os elogios possíveis e merece todas as homenagens que receberá, com certeza. Artur representa o que ainda existe de puro no esporte, um amor incondicional ao seu clube de coração, sem nunca almejar absolutamente nada em troca.
Artuzinho é uma referência para o futsal potiguar?
Com certeza. Quando você fala do futsal, logo vem a lembrança de Artuzinho. Pelo que fez durante todo esse tempo como atleta e técnico vitorioso. Lançou moda nas quadras, com camisas maravilhosas e exclusivas. Agora, em fevereiro de 2012, na Assembleia da CBFS, em Fortaleza, o vice-presidente da entidade, o Senhor Piazza, de São Paulo, me perguntou: "Clóvis e Artuzinho? Ainda usa aquelas camisas?", no que eu respondi: continua lançando moda... Aí foi motivo de risadas da velha guarda do futsal nacional que estava presente.
Você acha que Artuzinho tem condições ainda de ressuscitar o futsal do América?
Artuzinho me falou que contatou com o presidente Alex Padang, que se comprometeu com o retorno do futsal do América em 2013. Acreditamos na palavra de Alex e certamente teremos um América forte em 2013.
fonte:TN